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sábado, 24 de setembro de 2011

joao sem sobrenome



Como é que me queres ver feliz?
Se me esforças a engolir o sorriso
Pois o fulgor dérmico nos diverge
O nome sócial, o bolso nos restringe

Como é que me falas em direitos iguais?
Se a justiça para mim é muda, surda e cega,
A tua balança tem pedras desiguais
Se não passo de um João sem sobrenome
Que pão-pedra come ou passa a fome

Como é que me queres ver cantando?
Se roubaste todas as minhas letras
Partiste-me a dicanza e as guitarras
Furaste-me o batuque com as garras!

Como me falas em saúde?
Se estou com saliva de cloroquina
Sentado numa pobre esquina
Pedindo gotas de vitamina

Como é que não queres que eu chore?
Se espetas os dedos nos meus olhos
E te satisfazes vendo-me de molhos

Como é que não queres que eu cheire catinga?
Se solarengaste cruelmente sobre as flores
Para que não destilassem os perfumes da vida

Como é que a morte não me consome?
Se quebraste-me os braços e a s pernas                                      
Jorraste as águas das minhas cisternas
Tornando-me num João sem sobrenome

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